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Terra Adentro.
A Espanha de Joaquín Sorolla

Museu Nacional de Arte Antiga

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  • ONDE E QUANDO

    Lisboa

    Museu Nacional de Arte Antiga
    Rua das Janelas Verdes
    De 7 de dezembro de 2018 a 31 de março de 2019

  • DESCRIÇÃO

    Para os artistas de finais do século XIX, a pintura de paisagem deixa de ser um género menor e torna-se numa prática obrigatória. As paisagens «terra adentro» de Joaquín Sorolla y Bastida (1863-1923) inserem-se nas correntes do seu tempo, somando às experiências de pintar ao ar livre uma forte carga ideológica. 

    Após a perda definitiva de todas as antigas colónias espanholas, em 1898, surge com força no país a consciência de que é necessária uma regeneração e não apenas do setor político. Também a arte devia criar novas imagens que representassem uma nova nação. 

    Espanha deixa de olhar para si através das grandes gestas do passado, contadas pela pintura histórica, e reconhece-se na realidade das suas paisagens e costumes contemporâneos. Joaquín Sorolla retrata nas suas obras esta «verdadeira» Espanha, os seus usos e valores, pintando-a do natural de uma forma totalmente moderna.


    Mitologia regionalista e natureza. A Valência de Sorolla


    Joaquín Sorolla inicia os seus estudos de pintura na Real Academia de Belas-Artes de San Carlos, Valência, onde descobre a paisagem realista, feita ao ar livre.

    Após os anos de aprendizagem em Itália, estabelece-se definitivamente em Madrid, em 1889, mas a sua relação com Valência perdura, visitando-a regularmente.

    As suas juvenis experiências em pintura focam-se na cidade onde nasceu, muitas vezes representada sob uma estética da ausência, os espaços urbanos surgindo vazios e repassados de nostalgia. São também cenários de Sorolla a Albufera, as hortas, as barracas, as aldeias das cercanias, com a sua peculiar arquitetura popular e as videiras nos alpendres, mostrando o interesse do jovem pintor por descrever os traços distintivos das paisagens rurais da região.


    Sorolla em verde e cinza


    Após instalar-se em Madrid, Sorolla adquire maior consciência da importância do género da paisagem na pintura moderna e das novidades da corrente realista.

    Passa várias temporadas em Muros de Nalón, Astúrias, onde o pintor Tomás García Sampedro havia fundado uma colónia de pintores paisagistas, seguindo o modelo da escola francesa de Barbizon. Ali pintou os prados asturianos, onde resplandece um verde fresco. Do País Basco, conheceu sobretudo San Sebastián e Zarauz, onde passou alguns verões com a família, recolhendo o cinzento das grandes ondas do Cantábrico e os húmidos verdes do seu interior.


    A invenção de castela como emblema nacional: a paisagem natural


    Sorolla percorre Castela em 1906 e 1907, acompanhado pelo seu amigo Aureliano de Beruete, pintor, académico e escritor. É através de Beruete que entra em contacto com o círculo intelectual da Institución Libre de Enseñanza (instituição educativa, privada e laica, defensora da liberdade no ensino), círculo gerador de um novo ideário estético segundo o qual a paisagem devia ser uma via de modernidade para se expressarem os valores nacionais.

    Apesar de ser, antes de mais, um pintor do Mediterrâneo, Sorolla partilha com estes intelectuais o fascínio pela paisagem castelhana, um tema até então inédito na pintura mas que iria emocionar toda uma geração de escritores e de artistas, que viam no caráter sublime e austero dessa paisagem um emblema do ser espanhol.


    Cidades monumentais. Toledo


    As cidades monumentais, como Toledo, Segóvia, Ávila, Cuenca, Sória ou Burgos, são uma constante na pintura de Sorolla, de Aureliano de Beruete, de Ignacio Zuloaga ou dos irmãos Zubiaurre. Todos eles expressam, nos seus diferentes estilos, um sentimento singular perante estes históricos e imponentes conjuntos urbanos.

    De entre todas as cidades mortas da Meseta castelhana, destaca-se Toledo, a cidade tolerante das três culturas, cristã, árabe e judaica, a cidade imperial e lar de El Greco, então redescoberto. Toledo torna-se num dos estereótipos da paisagem cultural mais representativo do gosto moderno.Sorolla pinta-a inúmeras vezes, sempre com base na sua particular sensibilidade. Umas vezes, centrando-se na expressividade do céu nubloso e cambiante, colocando ao fundo o casco da cidade; noutras, trazendo para o primeiro plano a natureza mineral da garganta do Tejo, cuja singularidade fascinara geólogos e geógrafos.


    A «Espanha branca» de Joaquín Sorolla. Granada


    Em 1902, Sorolla visita pela primeira vez a Andaluzia, onde acabaria por regressar em várias ocasiões. Em 1914, escolhe nos arredores de Sevilha uma paisagem insólita de terra seca onde só crescem as figueiras da Índia. Em Jerez de la Frontera, pinta os vinhedos ao sol e figuras fundindo-se com a paisagem, num estilo com tendências impressionistas e pós-impressionistas, que sem dúvida conheceu e assumiu.

    Desde a sua primeira visita, Sorolla fica impressionado com Granada e, sobretudo, com a imponência da Serra Nevada. Aos seus bairros, à sua serra e à Alhambra dedica cerca de 47 paisagens feitas durante três viagens, sempre no final do outono ou em pleno inverno.


    Mar de luz


    Ainda que esta exposição seja dedicada às paisagens do interior de Espanha, tratando-se de Sorolla é inevitável a referência às suas paisagens da costa, aos mares e praias que se converteram na sua «marca» e lhe deram enorme fama.

    No dilatado cenário do mar, a luz magnifica-se. Sorolla observa-a com aguda perceção e apaixonada intensidade, registando os seus reflexos, os matizes e as alterações de cor segundo as horas do dia, sem recuar sequer defronte da cegante luminosidade do meio-dia no Levante espanhol. Ao contrário de outras, as suas paisagens de mar estão sempre habitadas, percorridas por um bulício humano que desfruta das dádivas da natureza, do sol e da água com uma alegria totalmente alheia às preocupações do seu tempo. Esta visão otimista e luminosa valeu a Sorolla uma extraordinária popularidade.


    Etnografia da Espanha rural, pintura e nacionalismo


    Em 1912, o filantropo norte-americano Archer M. Huntington, fundador da Hispanic Society of America (Nova Iorque), encomenda a Sorolla um conjunto de enormes telas para decorar a biblioteca desta instituição. Sorolla sugeriu-lhe retratar do natural as distintas regiões de Espanha, as suas paisagens, procurando as mais genuínas personagens e costumes de cada lugar. Movido por uma grande ambição, Sorolla iniciou este gigantesco programa fazendo «estudos» ou «esboços» no tamanho natural, mas depressa renunciou a esse procedimento, que literalmente duplicava o seu trabalho, e passou a fazer os seus ensaios a guache e num formato menor.

    As obras aqui expostas pertencem à primeira fase: as pessoas que vemos, posando em atitudes tranquilas, transformam-se, na versão final, em conjuntos de figuras dinâmicas que se movem nas suas fainas ou nos seus arraiais e bailes, em composições multitudinárias dirigidas com o brio e a destreza de um grande realizador de cinema.

  • MATERIAIS DE INTERESSE

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